30 de junho de 2007

SEGRÊDO

SEGRÊDO

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho novo.
Mas escusam de me atentar.
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino.
E guardar
Este segrêdo comigo.
E ter depois um amigo.
Que faça o pino.
A voar...

24 de junho de 2007

Preciso de me sentir Amado


De repente o silêncio,
a insegurança e o medo parecem flutuar no agora.
Os sentimentos que se misturam,
a lágrima que insiste em cair.
Sinto o peito apertado,
nada faz sentido, e um pensamento permanece...
Eu quero sentir-me amado,
beijar uma boca, mesmo sem a ter,
se assim tiver de ser.
Mas ter o calor desse corpo,
mesmo que por breves instantes.
Talvez assim me sinta vivo,
é que ultimamente ando tão moribundo.
Não consigo ter pena de mim mesmo
o que me deixa ainda mais frustrado.
Pergunto-me porque te sentes assim?
As respostas são tantas,
que a única que faz sentido é que
Deus está furioso comigo.
Perdi-me do trilho que me foi destinado,
agora estou a pagar o meu pecado.
Mas ainda não estou preparado
falta-me o tempo.
Precisava sentir-me amado,
nem que fosse por um momento,
talvez assim tivesse outro alento.
Vida madrasta
que teimas em ser carrasca.
Eu digo-te sempre que amar não são só palavras
são pensamentos loucos,
e sentimentos adulterados
que são para poucos.
Queria sentir-me amado!

6 de junho de 2007

Rio Cubal


Luanda


Num domingo...

Fuga para a Infância
Nas tardes de domingo
(cheirava a doce de coco e rebuçado)
os meninos brincavam
iam passear ao mar
até o Morro iam
ver a gente.

O menino ficou preso
quando cresceu.

E nas tardes de domingo
vozes vinham chamá-lo
vinham ecos de vozes
que lindas vozes o menino ouvia!

Mas o menino estava preso
e não saía...

Numa tarde de domingo
os outros meninos vieram chamar
o menino preso...
E foi nessa tarde de domingo
(cheirava a doce de coco e rebuçado)
que o menino fugiu para não voltar

5 de junho de 2007

O Rio

Pela tardinha da tarde
sereno vai o Cuanza
e a piroga atravessando
quando o sol já se expande
para lá do horizonte...
Nada mexe, nada vibra.
Tudo é prata, tudo é folha.
Deus, como é belo o meu Rio!
Tudo é sereno silêncio
só a piroga ondula, negra,
na prata lisa da água.